Termômetro Clínico

O termômetro clínico vêm sendo utilizado a muitos anos para diagnósticos de febre, e no decorrer dos anos este sofreu várias mudanças, e criou-se novas tecnologias provenientes dos grandes avanços nas áreas da engenharia.




Resumo Termômetro Clínico

 

 

Introdução ao Termômetro Clínico

O Instrumento é usado tanto no ambiente doméstico quanto no ambiente hospitalar, e é indispensável para controlar a temperatura do corpo. Os termômetros atuais não só medem a temperatura corporal como também em outras superfícies, por conta do seu sensor de radiação infravermelho.

Este equipamento passou por muitas mudanças no decorrer dos anos, e tudo nos leva a crer que ainda sofrerá mudanças no futuro, porém continuará indispensável no dia-a-dia, principalmente no ambiente hospitalar.

Veremos a seguir toda a história do Termômetro Clínico, quais os modelos existentes e também dicas de manutenção.

História do Termômetro Clínico:

Termômetro Clínico de Santorio, médico.
Termômetro Clínico de Santorio, médico.

    

O primeiro relato da construção de um instrumento sensível a variação de temperatura foi em 3 a.C, por Philon de Bizânico, e consistia em um vaso de chumbo ligado por um tubo até um vaso com água. Quando aquecia o vaso de chumbo, era possível ver as bolhas de água se formando no outro vaso, e quando o chumbo se resfriava, o inverso ocorria, e a água subia pelo tubo. Este instrumento ficou conhecido como termoscópio.

Somente no século XVII com o surgimento da iatromecânica, percebeu-se que era necessário aprofundar os conhecimentos para melhorar este instrumento e aplica-lo corretamente na vida real. Os encarregados destes estudos foram René Descartes, Santorio Santorio e Giovani Borelli.

Santorio foi quem aprimorou o instrumento, pois como era médico, via mais necessidade e aplicação no seu cotidiano. Santorio fabricou um tubo de vidro parecido com uma serpentina, em que possuía uma esfera oca e com pedaços de vidro do início ao fim, começando ali a implementar a graduação fixa deste equipamento. Este tubo era mergulhado em um vaso com água e sua graduação foi criada a partir de uma pequena bola de neve para o início e a chama de uma vela para o fim.

Para efetuar a medida da temperatura do paciente, bastava o mesmo colocar a boca na esfera oca de vidro e aguardar até que a dilatação do ar dentro da esfera estabilizasse, então a água fixaria em algum ponto da graduação daquele vidro e verificando o estado do paciente.

Posteriormente, Galileu Galilei criou um termômetro com uma vasilha de água e um tubo, então a água variava no tubo conforme a temperatura do ambiente, porém ele desconhecia ainda as ações da pressão atmosférica. Quem aprofundou-se nesta questão foi então o aluno de Galileu, Torricelli, que inventou o barômetro e apresentou a existência da pressão atmosférica. Porém Torricelli não estava preocupado com a temperatura, porém os instrumentos criados por ele eram compostos por mercúrio.

Em 1654, Ferdinand II desenvolveu um termômetro com álcool dentro de um vaso de vidro. Mas este instrumento não possuía graduação, e ainda era muito complicado compreender como seria feito a medida.

Em 1714, o físico alemão Gabriel Daniel Farenheit, fabricante de instrumentos meteorológicos, fez vários experimentos, e constatou que a dilatação do mercúrio era muito mais rápida do que a do álcool, permitindo uma melhor verificação da real temperatura e a implementação da graduação nos termômetros.

Em 1866, Thomas Clifford Albutt percebeu que os termômetros utilizados por médicos eram muito grandes, desajeitados e demoravam em torno de vinte minutos para medições de temperatura em pacientes, pois eram os mesmos termômetros usados para medir a temperatura do ambiente. Então inventou o termômetro clínico de mercúrio, muito menor e muito mais rápido, demorando apenas cinco minutos para uma medição.

Modelos de Termômetros Clínicos

 

Termômetro Clínico Analógico

Termômetro Analógico
Termômetro Clínico Analógico

Um tubo de vidro oco com uma escala de temperatura desenhada em seu exterior. No Brasil a unidade de medida utilizada para a leitura correta da temperatura é o Grau Celsius e sua faixa de operação é de 35ºC à 42ºC. Como sua medida mínima é um décimo de grau, nos permite fazer a leitura fracionada com mais precisão.

Dentro do tubo de vidro maior, há um tubo de vidro menor, denominado tubo capilar. Este pequeno tubo armazena uma quantidade de fluido sensível ao calor, e em geral é utilizado o Mercúrio ou Álcool Colorido.

Para se fazer a leitura da temperatura do corpo, basta colocar o bulbo em contato com o corpo e aguardar a estabilização do fluido dentro do capilar.

Dentro do capilar, logo após o bulbo, há um estrangulamento do tubo antes que o fluido passe para o outro lado quando o mesmo sofre a dilatação. Esse estrangulamento serve como uma barreira que impede que o fluido volte para o bulbo no momento da medição.

Termômetro Clínico Digital

Termômetro Clínico Digital
Termômetro Clínico Digital

Um gabinete plástico envolve um circuito eletrônico alimentado por uma bateria semelhante a de um relógio, e o mesmo possui um sensor de temperatura da extremidade mais fina do equipamento.

A faixa de operação desse tipo de termômetro é entre 32ºC e 42,9ºC, e o formato foi desenhado para facilitar sua utilização, pois pode-se medir a temperatura do corpo pela via oral, posicionando o sensor abaixo da língua, embaixo das axilas e via retal.

O sensor de temperatura é um componente eletrônico, geralmente um termistor, que varia sua tensão conforme a temperatura aplicada, e essa tensão considerada analógica passa por outro componente que transforma esse sinal em digital e assim enviando as informações para a tela LCD a qual é visualizada pelo usuário.

Há um cronômetro interno, o qual é ativado após o usuário apertar o botão de início da medida, e assim o próprio equipamento avisa o término do processo com um bipe. 

Termômetro Clínico Infravermelho

Termômetro Clínico Infravermelho
Termômetro Clínico Infravermelho

A montagem deste tipo de termômetro é muito semelhante a do termômetro digital, porém é mais robusto e anatômico. Este tipo de termômetro foi criado para a utilização na área industrial, passou por adaptações e está disponível para a área clínica.

Com um sistema micro controlado (programado em computador), este equipamento pode armazenar um histórico de medidas realizadas, e conforme a temperatura medida ele altera a cor da tela, ficando verde para uma temperatura normal e vermelho para uma condição de febre.

Sua leitura é instantânea, basta pressionar o botão “Iniciar” e mirar o sensor infravermelho na testa do paciente em torno de cinco centímetros e então a temperatura aparece na tela. Ele também pode ser utilizado como um controlador de temperatura em mamadeiras, água de banho, entre outros.

É alimentado por pilhas recarregáveis e possui uma base de carregamento. Seu sensor infravermelho capta a temperatura através da radiação emitida pelo paciente, o sinal elétrico é levado para um chip programado e com cálculos feitos por seu programa emite o valor real da temperatura corporal na tela LCD.

 

Dicas de Manutenção de Termômetros Clínicos

Manutenção

 

Não liga:

Verifique se a bateria ainda possui carga, utilizando um voltímetro ou substituindo a mesma.

Se a bateria possuir carga ou for nova, verifique os contatos das baterias no termômetro, ali pode ter ocorrido oxidação, obstruindo a passagem da corrente elétrica. Se for verificado algum tipo de sujeira nos contatos, passe uma lixa de unha ou limpe com uma faca.

Não sei se está medindo corretamente:

Neste caso, deve-se compará-lo com outro termômetro. Se não tiver outro disponível, solicite a um vizinho.

Todo termômetro clínico deve ser calibrado em um órgão credenciado ao Inmetro. Portanto, você pode procurar em sua cidade qual é a empresa que presta esta serviço. Não esqueça de solicitar o laudo de calibração, com um selo de rastreabilidade.

Caso nenhuma dessas dicas tenha o ajudado, procure o serviço de assistência técnica da marca de seu termômetro.

OBS.: Para os termômetros analógicos, não existe a possibilidade de efetuar sua manutenção. Se o mesmo quebrar, não passe a mão no mercúrio, pois ele é tóxico. Tente colocar o mercúrio e os cacos de vidro dentro de algum recipiente, como uma caixa de leite usada ou um copo plástico e pesquise em sua cidade quais são os meios de descartar este material.

Conclusões

  • Termômetros analógicos estão entrando em desuso devido a utilização de mercúrio, que é uma substância tóxica combinado com seu tubo de vidro que pode quebrar facilmente.
  • Termômetros digitais são os mais recomendados para o uso doméstico devido ao seu bom custo-benefício.
  • Para o uso hospitalar recomenda-se o uso de termômetros com sensor infravermelho, pois sua medida é muito mais precisa, porém possui um preço muito mais alto em relação ao digital comum.
  •  Recomenda-se que pelo menos uma vez por ano seja efetuada a calibração deste tipo de equipamento para que o mesmo seja avaliado quanto ao seu correto funcionamento.
  • A vida útil de uma bateria gira em torno de dois anos, portanto recomenda-se a substituição das baterias neste período.

Dicionário

 

Iatromecânica: Iatro + mecânica – Medicina dos sinais vitais e mecânicos do corpo humano.

Graduação: Cada uma das divisões de uma escala estabelecida em um instrumento.

Barômetro: Instrumento utilizado para medir a pressão atmosférica.

Pressão atmosférica: Pressão exercida pelo ar.

Termistor: Componente eletrônico que varia sua resistência conforme a temperatura aplicada.

Sensor Infravermelho: Componente eletrônico que identifica a radiação na forma de um espectro eletromagnético.

Radiação: Oscilação dos campos elétrico e magnético, podendo ser percebida na forma de luz ou calor.

Voltímetro: Instrumento capaz de medir a tensão elétrica em alguma fonte, como por exemplo, uma pilha.

Calibração: Ato de comparação. Termo utilizado por metrólogos.

Rastreabilidade: Quando um laudo é emitido, este leva um número de rastreabilidade, conferindo a procedência dos equipamentos utilizados no momento da calibração.

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